7 estratégias para manter sua escola competitiva no mercado

Atualizado: 24 de Mai de 2019


O fato é que não fazer nada para ser mais competitivo já é retroceder.


Escolas competitivas crescem mais, sofrem menores riscos financeiros e são a primeira opção de matrícula na região de atuação. Tudo isso é óbvio, não é mesmo? O que parece óbvio em teoria, na prática não acontece. Muitas escolas não entenderam que além de instituição, são um negócio, que a concorrência existe e que a taxa de natalidade está despencando, ou seja, no futuro a competição será ainda mais acirrada.

A escola moderna deve continuamente exercitar formas, novas ou já usuais, de manter-se no mercado, e não só manter-se mas conquistar a fidelização diária dos alunos, pais de alunos e colaboradores, livrando-se do risco de perder espaço para a concorrência.

Mas como manter a escola competitiva?

1- Faça uma avaliação interna da gestão escolar

Para criar um planejamento estratégico com metas e objetivos, é essencial que o mantenedor compreenda o ambiente interno da escola, em outras palavras, ele precisa entender quais são os pontos fracos e fortes da instituição, assim poderá reforçar os aspectos positivos e corrigir as debilidades que diminuem a competitividade do colégio. Para selar tudo isso, é preciso certificar-se de que todos os processos foram implantados, o líder da instituição deve se atentar em todas as fases do processo: desde o input, a entrada dos pais para conhecer a escola, até o output, a saída do aluno no último período escolar.

Por qual motivo falo isso? Visitei uma escola na zona leste de São Paulo, grande, tradicional, que vem investindo forte em infraestrutura mas em um site de avaliação, alunos e pais reclamam que o ensino é fraco e que os alunos precisam procurar curso pré vestibular para prestar ENEM e outros vestibulares mais concorridos. É um diagnóstico que a escola não fez, a leitura de que seu público claramente busca, uma escola conteudista e com foco em vestibulares. Neste caso, de nada adianta aumentar mensalidades colocando inovações, programa bilíngue caro, sala do futuro e outros projetos que o aluno e a família não valoriza. Lembre-se que qualidade é entrega o que a família busca.

2- Fidelização

Dentro dos indicadores de desempenho da escola, será necessário acompanhar o nível de fidelização dos alunos. O fundador do The Game Changers, Peter Voogd, afirma que é muito mais caro conseguir novos clientes do que cuidar dos que a empresa já possui. Segundo ele, o objetivo deve ser criar fãs e embaixadores da marca, pessoas que irão promover o que a instituição faz por vontade própria. Como medir isso? A escola poderá utilizar, por exemplo, a metodologia NPS (Net Promoter Score) para identificar nível de alunos e pais Detratores, Neutros e Promotores da escola.

3- Inovação

Um dos itens exigidos no programa de qualidade educacional está a seguinte: a liderança incentiva a inovação em todas as áreas, buscando melhores práticas do mercado? Ou seja, a escola tem espírito de inovação e estuda o mercado buscando a melhor forma de ensinar? Quais iniciativas estão dando certo em outras escolas? Lembrando sempre que inovação não é só tecnologia educacional. Promover a visita dos seus coordenadores e professores para escolas de outras regiões para entender como a escola se destacou em matemática ou redação, por exemplo, é benchmarking que traz inovação.

4- Olhe para o mercado É extremamente importante realizar pesquisa de mercado, analisar o crescimento da sua região como concorrência, índice demográfico e poder de compra por exemplo.

Tive oportunidade de prestar consultoria para certificação de uma escola em uma capital do nordeste e realizando estudo de mercado, percebi que a cidade estava crescendo em lado oposto da escola e que todos os concorrentes estavam na mesma região, disputando os mesmos alunos. O mantenedor comprou um terreno em uma área pouco explorada que hoje tem a maior quantidade de condomínios residenciais de luxo da cidade.

Nessa mesma consultoria, realizamos pesquisa da concorrência e pudemos analisar o crescimento de alunos por segmentos, resultados no Enem e até detalhes como quantidade de colaboradores. Foi interessante ver que algumas escolas tinham 20% mais alunos mas em contrapartida o dobro de folha de pagamento e inadimplência, logo a rentabilidade e a lucratividade do negócio é colocado à prova.

5- Treine sua equipe de gestão

Colaboradores alinhados aos objetivos da instituição de ensino e motivados a buscarem melhores resultados, são fundamentais numa boa gestão escolar. Em nossas consultorias, fazemos clientes ocultos e podemos perceber que cada atendimento de matrícula tem uma abordagem diferente e que não apresenta de fato a proposta pedagógica do colégio, ou muitas vezes o profissional de atendimento de matrículas descarrega tudo o que a escola oferece e esquece de perguntar o que a família espera de uma instituição de ensino.

Alcançar maior rentabilidade está estritamente relacionado ao bom desempenho das entregas individuais, por isso, promover treinamentos é fundamental. Além disso, é preciso que a equipe participe da elaboração de metas e estratégias e saiba exatamente o que deve fazer, como fazer e onde chegar. Mantenha um manual de gestão por área, com uma comunicação clara e objetiva dos processos da área e o que se espera de resultados.

6- Formação continuada dos professores

Escolas competitivas investem pelo menos 2% do faturamento anual na formação do corpo docente baseado na necessidade local. Se sua escola adota sistema de ensino, agende e registre todos os encontros de formação realizada. Vale lembrar que a participação de feiras e workshops também são válidos, assim o docente estará atualizado sobre tecnologias e inovações para o processo de ensino e aprendizagem.

7- Reunião de resultados

A reunião de resultados é um encontro para apresentar os indicadores, celebração de conquistas, análises apuradas e correção de rumo. Enfim, todos no mesmo plano e engajados na missão da escola.

Para finalizar nossa conversa

Ocupar o cargo de gestor escolar definitivamente não é uma tarefa fácil. O profissional precisa lidar com equipes, alunos, família, rotinas internas, além de ter foco nos resultados pedagógicos e nos indicadores financeiros para garantir a continuidade da instituição de ensino.

Para garantir que todas áreas estejam desenvolvendo as tarefas com eficiência e dentro do prazo, o líder deve conhecer as habilidades necessárias para cada função e orientá-los de modo claro para obter os melhores resultados. E por isso, para ocupar a posição de líder é fundamental desenvolver um manual de processos estruturado para cada área e função, bem como os resultados esperado de cada colaborador. Com os processos bem alinhados, o profissional terá mais tempo para pensar no que realmente importa: a aprendizagem dos alunos.



João Maurício é Consultor em Gestão Escolar, formado em Administração de empresas com MBA em Marketing, estudando MBA em Gestão Escolar pela ESALQ USP. Atua na implantação de certificação da qualidade e em pesquisa de mercado com desenvolvimento de estratégias competitivas. Desenvolve estudos sobre Competitividade, Qualidade, Crédito e Cobrança para Instituições de Ensino Básico.

#Estratégiacompetitiva